15 dias

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Hoje fez 15 dias que chegamos na terra média. Foram dias intensos. Sweet & Sour (ou agridoce) é uma boa definição. Vou tentar resumir o que já aconteceu e minhas primeiras impressões, agora como expatriada.

Wellington nos recebeu na sexta dia 2/12 exatamente como na foto acima, sem filtro. Cinza, chuvosa, com vento e águas cor de esmeralda e suas montanhas circundando tudo.

De cara fiquei na dúvida: com que cidade se parece. Tem horas que você tem certeza que está no interior da Inglaterra com suas casinhas vitorianas e fish & chips nos bares. Em outros momentos eu posso jurar que estou no Rio…nos viadutos da zona sul, com as montanhas ao fundo e a praia. Em alguns passeios eu já mudava de ideia e concluia, é igual ao Havaí. Principalmente Waikiki (e acho que realmente é o lugar que mais lembra aqui).

A temperatura lembra Curitiba na mesma época do ano. Todos dias estiveram entre 10 e 18 graus. Uma diferença que gostei é que o clima não é bipolar. Amanhece 13-14, sobe para uns 15-16 e é isso. Se está sol, no final da tarde pode até subir um pouco mais e chega aos 18-19. Nada de mudanças bruscas de clima. Escurece tarde, lá pelas 9 da noite. Estranhei nos primeiros dias e agora gosto. São 8 da noite e ainda está claro. Venta muito. O tempo todo. Em todos os lugares. Raramente está sem vento ou com vento fraco. Mas não adianta explicar. Me falavam e eu não entendia. Quando você passar sua primeira noite em claro porque o vento sacode a casa (achei que era terremoto), você vai me entender. E outra coisa engraçada: depois de uma noite de tempestade você não vê uma folha sequer no chão. Kiwis são tough mesmo. Até a natureza daqui parece mais resistente.

As pessoas parecem mais gentis, calmas, é uma vibe diferente. Não é raro um desconhecido/a te dizer bom dia e sorrir. Às vezes parece que estou em um filme antigo. Aliás isso é outra coisa. Em muitos aspectos eu me sinto no passado. Algo como anos 80 no Brasil rsrs. Por exemplo aqui a gente ainda vê nas lojas venda de DVD´s. Inclusive aparelhos de DVD. Tem muitas lojas de usados. O kiwi não tem aquela vibe capitalista americana. Brechós e lojas vintage estão por todos os lados. Acho ótimo.

Uma coisa que me chamou atenção é que não tem padaria como temos no Brasil. Até existem, mas não se tem o costume de comprar pão para café da manhã ou lanche da tarde sabe?

O leite, manteiga e o queijo tem sabor mais marcante. Uma delícia. No geral pelo que vi a alimentação deles é mais natureba, no sentido que não se come muito industrializado. O café da manhã típico lembra o americano, com ovos, bacon e um tipo de bolinho de batata delicioso. Mas em casa você cozinha e come o que quiser, claro. Frutas e verduras são bem mais caras. Não rola fazer salada de fruta como fazemos no Brasil, pelo menos não todo dia! Por exemplo ontem fui ao mercado e tinha uma promoção. 5 USDNZ por uma abobrinha, um pimentão e uma alface (1 USDNZ está 2,36 BRL). O mamão é caríssimo. 7,90 USDNZ um mamãozinho 😦

Ontem fui a dois barzinhos. Aqui o happy hour é forte, principalmente se tem sol. Começa muito cedo! Vi nos bares as placas de happy hour de 15 as 17 ou de 16 as 18. Aqui não se trabalha loucamente. Aliás pega mal se você fica até mais tarde. Cinco horas e provavelmente você já é um dos únicos no escritório (segundo meu marido e todos que conheci aqui até hoje). Se prioriza mais estar com a família e aproveitar a natureza.

Essas foram as primeiras impressões. Ou seja, estou gostando e parece um ótimo lugar para se viver e ter família. A outra parte dos primeiros 15 dias já não é fácil. As saudades. Claro que eu já sabia que seria assim. Mas tem dias que “bate uma bad”. Você quer falar com um amigo/a ou com seus pais e olha no relógio e é de madrugada no Brasil. Essa parte é muito ruim. A outra é quando acontece algo difícil e você não está lá para dar um abraço ou apoio ao amigo/a ou á sua família. E nestes 15 dias já aconteceu isso. Fiquei triste demais de não estar presente. Aí você pensa e chega a conclusão que tem que se acostumar. Afinal de contas, você é quem saiu de lá. E aos poucos, por mais que doa, eu sei que vou começar a ficar de fora. Não é vitimismo, é realidade. A gente aqui não vê jornal, não sabe das coisas do Brasil na mesma hora. Ficamos alheios mesmo que acompanhando algo online. E eu sei que as pessoas vão se acostumar com a minha ausência. Afinal de contas a vida de todos segue. São só 15 dias, mas já sinto um pouco disso. E essa é a parte difícil de ser expatriada.

Se você quer saber algo sobre como é a vida aqui, deixar um abraço ou mesmo uma crítica, deixe seu comentário!

Beijos!

2 thoughts on “15 dias

    • Fabi Ormerod says:

      Obrigada amore. A Mel já me mandou audio dizendo que não tem isso de esquecimento não rsrs. Escrevi outro texto…depois te conto o babado novo, e lá falo de que os relacionamentos que ficaram após a mudança são os que valem. Eu sei que pra vcs e pra mim não tem esquecimento. Mas realmente nos acostumamos com a ausência física. Como me acostumei com a do Francis e agora estou me acostumando com a presença

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