Um mês na terra média

img_20161230_160208Waterfront, Wellington. Fonte: arquivo próprio

Começo meu texto de hoje com um clichê: como o tempo voa. Me pego aqui escrevendo e pensando: como assim já estou aqui a um mês? Sério? 30 dias? Voou.

No facebook fui partilhando nas primeiras semanas alguns aprendizados e o que fui conhecendo daqui. Algumas coisas serão repetidas, mas tem um tanto de outras novas.

Não vou ficar falando sobre as saudades, aí é clichê demais. Mas é claro que ela é diária.

Tem dias que sinto raiva do fuso, você quer falar com alguém, olha o relógio e percebe que lá é de madrugada ou já passou do horário comercial, ou é cedo demais ainda. Vai dormir, fazer outra coisa e quando consegue falar com a pessoa já nem lembra mais qual era o assunto. Acho que essa está sendo a parte mais dura da adaptação.

Já virei motivo de piada aqui em casa pelos meus: wow, nossa, sério? olha a cor dessa água; ou então: que lindo!!! Realmente vi muito pouco ainda, mas o pouco que vi é muito bonito. Tanto que já ouvi dizer que kiwis quando vão ao Havaí ficam decepcionados pois não acham nada demais as paisagens de lá. Aqui entendo porque. Lembra MUITO o Havaí. É uma mistura de Havaí com interior da Inglaterra.

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Scorching Bay, Wellington. Fonte: Web

O Brasil não tem lugares tão bonitos? Nossa, como tem!!! Com certeza! Mas convenhamos que não é tão fácil fazer turismo no nosso país. Além da distância grande que dificulta por exemplo ir de Ctba ao caribe brasileiro (lá por Maragogi, por exemplo), os preços das passagens são absurdos. Perdi a conta de quantas vezes queria ir para o Nordeste e acabei indo para o exterior (aliás foi assim que paramos no Havaí em janeiro de 2016!).

Ok, o que mais percebi nesse um mês? 

  • Kiwis são educados e cordiais. Tem um interesse real no seu dia, na sua vida. Tanto que até estranhamos. Se você não quer bater papo no mercado, então passa no self check out (como nos EUA, você mesmo pode scanear, pagar e empacotar suas compras). Senão se prepare para as perguntas usuais: Busy day? How was your day so far? What are your plans for the weekend? (Dia muito ocupado? Como está sendo o seu dia até agora? Quais seus planos para o final de semana?). Essas são as que mais ouvi até hoje. NUNCA fui ao mercado sem me perguntarem algo similar.
  • Eles amam a família real apesar do regime ser parlamentarismo, fazem parte do commonwealth assim como o Canadá e a Austrália. Sabem aquelas revistas tipo Contigo? Tem em todo mercado…e a capa quase sempre tem algum membro da família real.
  • As tomadas tem um botão de ligar. Sim, isso mesmo. Não basta plugar, tem que ligar. Aprendi isso a duras penas hahahaha.
  • A direção é mão inglesa. Horrível andar de carona nas primeiras semanas. Bom, foram praticamente 30 dias sendo carona e querendo entrar no lugar do motorista. Acho que de uns dias pra cá que não fiz mais isso rsrsrsrs.
  • Dica mega importante se você pensa em imigrar ou passar uma temporada aqui: a legislação mudou recentemente e se você quer comprar um carro financiado, precisa ter a carteira de motorista local (prova teórica e prática). Vale a pena considerando que o ônibus sai 3,65 NZD (faz as contas…) e um carro automático, importado, como um Jetta 2007 pode ser comprado por 7900 NZD. No geral com 7-8 mil NZD você compra um carro muito bom.
  • Eles são apaixonados por uma tortinha de carne. Também tem a versão de frutas. Já comi as duas e adorei.
  • Queijos e vinhos são MUITO bons. Os queijos não são baratos (por exemplo uma peça pequena ao redor de 10 NZD), mas com 10 NZD você já compra vinhos muito bons. O vinho branco deles é muito bom e também são famosos pelo pinot local.
  • Eu já sabia que rugby era importante para eles, mas estando aqui você entende melhor. É mais que importante, é uma adoração, como futebol para muitos brasileiros.
  • Eles valorizam muito a cultura local e acho isso sensacional. Por toda a cidade tem museus, referências, explicações sobre a cultura maori. Estamos aprendendo aos poucos.
  • Realmente não sabemos o que é vento. Aqui existem nomenclaturas específicas para cada vento. Sério. São mais de 5 tipos. Os gusts por exemplo (rajadas) são temidos e podem ultrapassar 100 km por hora. A gente estranha no começo mas uma hora acostuma (espero). A parte boa disso é que a maior parte da energia consumida no país é eólica.
  • Não existem baratas na NZ. Ou pelo menos eu nunca vi uma. Pelo que andei perguntando parece que não tem mesmo. Só por isso já vale a pena morar aqui hahahah. Em compensação existe um grilo, o WETA, cujo tamanho e carinha demonstram potencial para me assustar tanto quanto uma barata voadora. Sério, já me avisaram que tem uns que tem tamanho de rato. Espero nunca esbarrar com um desses.
  • Tchau convenções de moda, yada, yada. Aqui se vê gente andando descalça na rua, no mercado. Indo buscar filho na escola de pijama e volta e meia alguém de pantufas. Liberdade. Bacana isso.
  • Zero assédio. Isso me impressionou MUITO positivamente. Pode andar de saia curta, vestido micro, short com meia bunda de fora (vi várias meninas assim rsrs) e ninguém encara, fala baixaria, etc. É muito bom viver assim. Bom, não deve ser à toa que aqui foi o primeiro país do mundo a liberar o voto feminino (sim, antes mesmo da Inglaterra).

Vou parar a lista por aqui porque já escrevi demais! E vocês, tem alguma dúvida sobre a vida por aqui? O que você tem curiosidade de saber? Me pergunta que respondo!

Beijos do futuro para todos!

3 thoughts on “Um mês na terra média

  1. Parsal says:

    Oi, Fabi. Muito legal o teu blog. Tenho acompanhado tua vida aí mais pelo face, mas aqui está mais detalhado. Sobre o rúgbi ser sagrado pra eles é de conhecimento pra quem acompanha esportes, tanto que os All Blacks são uma referencia no mundo, mas eu queria saber sobre o futebol mesmo. Tem algum espaço na mídia e na cultura local?

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    • Fabi Ormerod says:

      Oi,

      Obrigada pela leitura e comentário! 🙂

      Eu sabia do All Blacks, só não imaginava que fosse algo tão diário.

      Sobre futebol: então, sobre futebol só ouvi falar dos All Whites, a seleção deles. Tem vários campos de futebol pela cidade, nos bairros, como no Brasil – a gente vê as crianças jogando. Mas de times locais não é igual não. Inclusive meu marido comentou que quer ir assistir a um jogo local, mas avisaram que é ruim demais, que pelada de bairro no Brasil é melhor. Depois que ele for posso falar mais a respeito.
      Sobre espaço na mídia pro futebol ainda não sei comentar. Não temos TV ainda…não vi nenhum jornal específico falando de esportes. O que captei até agora da cultura local é que além do rugby eles tem muito foco em bike e trekking, esportes ligados as montanhas.

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