Imigração, sofrimentos e a sua turma

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Nova Zelândia: Essas 2 pequenas ilhas na Oceania estão na mídia o tempo todo ultimamente. Os índices de qualidade de vida daqui e toda situação econômica-política do Brasil, são ingredientes perfeitos para a Nova Zelândia virar o novo destino preferido para quem busca imigrar.

A minha história de imigração é um pouco diferente da maioria que conheci aqui. Não tem o planejamento de anos como de muitas pessoas,  não tem sofrimento por causa do idioma, que já dominávamos (isso faz muita diferença na sua adaptação imigratória), não houve dificuldades em adaptar-nos a cultura local (com pequenas diferenças, muito do estilo de vida era exatamente como queriamos viver). Já falei sobre isso em outro post, nossas dificuldades nos primeiros meses foram pessoais, coisas que passaríamos mesmo que fosse no Brasil.

Nem todo processo imigratório precisa ser sofrido. Ressalva importante: não estou falando de ser fácil ou difícil conseguir visto, emprego, etc. E sim de como você lida com tudo isso. A gente não precisa sofrer e chorar tanto para ser feliz e viver a vida que desejamos!

A vida pode sim ser mais fácil…nossas escolhas podem ser feitas com menos sofrimento.

Hoje, mais madura pelos aprendizados do processo, vejo claramente que não foi simples, fácil do tipo: vamos imigrar e tudo está resolvido. Mas também não foi o maior sofrimento do mundo (e algumas vezes eu achei que era!). Não é fácil admitir, mas eu digo…muitas dores que tive derivaram de medo, insegurança, apego, orgulho, vergonha (falei disso no texto aqui, no projeto DRAFT), etc.

Fala-se muito da questão das saudades. Eu tenho, todo mundo que imigra tem. Mas precisa ser uma saudade dilacerante que faz você sofrer todo santo dia? Se você for passar a sua vida toda sofrendo porque está longe de quem está no Brasil, será que vale a pena sair? Não tenho a resposta, estou só provocando a nossa reflexão mesmo! A resposta é muito pessoal. E não tem resposta certa, tem a SUA resposta.

A minha é que sim, vale a pena. Mas não se você for viver reclamando todo santo dia, comparando sua vida aqui com a vida que tinha no Brasil. Imigrar é mais do que tudo, um grande exercício de desapego, de autoconhecimento e crescimento pessoal. Escolher e saber viver com a escolha que fez.

Semana que vem completam 8 meses que saí do Brasil. Muitas coisas boas e aprendizados. Mas tinha uma coisa que ainda me incomodava muito. Apesar de extrovertida e ter procurado através de iniciativas diversas (academia, trabalho, grupos no face, etc), conheci várias pessoas aqui, brasileiros e locais, mas não tinha achado a “minha turma”.

E nos últimos dias tenho vivenciado uma experiência diferente, mais leve, mais divertida e com mais identificação. Cada um no seu quadrado já diz a música. Aqui, até o presente momento, me sentia isolada no meu quadradinho!

Já havia conversado sobre isso com várias pessoas aqui e no Brasil, sobre isso. Nenhuma de nós tem a resposta. São várias situações distintas: Tem brasileiro que evita mesmo e não quer contato com outros brasileiros. Tem brasileiros que são casados com locais e estão tão integrados, tem sua rotina tão estabelecida, que não tem tempo ou espaço para conhecer novas pessoas. Tem gente que simplesmente não gosta e não quer fazer novos amigos. Tem também os que você acha que vão ser grandes amigos, fala direto nas mídias sociais, face, whats…mas nunca tem tempo ou espaço na agenda para te encontrar. E tem aqueles que realmente viraram amigos, mas que moram longe ou os horários da rotina da família não batem, acontece.

Ou seja…Exatamente como no Brasil!!!! Não é porque você imigrou. Quando entendi isso, tudo mudou. É porque você não achou ainda a sua turma! Quem já mudou de cidade mesmo ainda no Brasil, passa exatamente pela mesma coisa.

Mas não desista. Eu não desisti. Siga fazendo sua parte e confie. Uma hora as energias se atrem, as coisas fluem, as amizades aparecem. Nem todos vão ser amigos de verdade, faz parte do processo. Mas divirta-se na jornada, não foque na finalidade.

Se você sentir aquele calorzinho dentro do peito ao ver algumas dessas pessoas, como eu tenho sentido, talvez você tenha então encontrado a sua turma. E isso com certeza, imigrante ou não, faz seu dia a dia ser mais colorido. 

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One thought on “Imigração, sofrimentos e a sua turma

  1. Valéria says:

    Não posso reclamar não é filha!
    Pois seus pais imigraram por 3 anos a bordo de um veleiro. De Santa Catarina aos USA.
    Te entendo.
    Seja Feliz!!!!
    Beijos

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