Leis da Prosperidade & Mudanças

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Quando escrevi o título desse post, imediatamente pensei que ele deveria estar no meu site profissional, onde falo de liderança & empreendedorismo feminino, coaching. Mas viver na Nova Zelândia, agora, a 1 ano, é a demonstração diária das Leis da Prosperidade na minha vida.

Quando penso na Fabi, Coach, Consultora de Negócios, Mentora de Empreendedorismo e Coaches, a primeira palavra que me vem a cabeça é MUDANÇAS. Hoje tive este insight e fiquei refletindo sobre isso o dia inteiro: O que melhor me define? Mudanças. Pra começar, mal nasci e ja mudei de cidade. Saí do Rio com 3 meses para morar em Recife. Depois, aos 5 para 6 anos, voltamos para o Rio. Aos 15, minha vida passou por uma grande mudança: meu pai foi demitido e o dinheiro de mais de 20 anos de trabalho ficou preso em uma conta corrente, quando o Collor e a Zelia bloquearam as contas bancárias. Depois de uma grande mudança no nosso estilo de vida e padrão econômico, mudamos para Curitiba. Gente, mudar do Rio para Curitiba a mais de 20 anos atrás foi um choque sem igual. Até expulsa de shopping porque não estava vestida adequadamente, eu fui (vestia short, camiseta e calçava havaianas).

A vida foi me trazendo mais e mais mudanças. Inúmeras. Mudei de carreira algumas vezes. Recomecei do zero mudando de área e iniciando uma pós em marketing e gestão em 2002, quando entrei na Novozymes (multinacional onde cresci e me desenvolvi por 13 anos). Essa grande mudança veio logo depois de outra mudança difícil, pois com menos de 25 anos eu já havia perdido um bebê, me divorciado e sabia que tinha uma doença crônica incurável – básico né?

Em 2015, depois de alcançar a minha definição de sucesso profissional e estar muito infeliz pessoalmente, mudei de novo, saindo do mundo corporativo para empreender. E ano passado, fiz outra grande mudança, me tornei coach e além disso, vim de mala, cuia e filho (porque o marido veio antes), para o outro lado do mundo. Muita gente me perguntava: O que você mais gostou na NZ que resolveu mudar pra lá? E eu dizia, não sei…nunca estive lá, rsrs.

Me acharam doida, muiiiiitooooo doida. Mas não dei bola, ouvi isso tantas vezes já na minha vida que não me afeta. Viemos na cara e na coragem sim, deixando uma casa que amo, quitada, que tinha a nossa cara…cada cantinho foi sendo decorado e construido aos poucos. Primeiro lugar que depois de adulta realmente chamei de lar, sabe? Deixei meus melhores amigos com uma dor sem tamanho no peito…dor que só foi maior por vir pra cá e saber que meus pais estão lá, vivendo a mais de 10.000 km de distância.(11.322 km para ser bem exata). Mas eu sabia de tudo isso. Eu sabia da saudade, sabia que seria dificil no começo, sabia que teria vontade de voltar algumas vezes e que em muitos dias me sentiria sozinha, achando que escolhi errado. Mas se a saudade e a dor eram certas, o meu sofrimento é, e sempre será, opcional. Porque eu sempre tenho escolhas, eu sempre posso ser a única responsável pelo que sinto. E eu escolhi não me sentir mal, não ser a vítima, a sofredora.

Nos dias dificeis, eu pensava como era no Brasil e em como me doia mais, não poder sair de casa a hora que eu queria, para fazer o que bem entendesse, vestindo qualquer roupa sem ter medo. Como a dor de olhar pelas janelas da minha casa e ver grades me cercando, me inconformava. Grades, muros, cercas, alarmes. Ano passado fui roubada na porta de casa, as 10h30 da manhã, quando ia a padaria. Foi como uma gota d’água pra mim. Muita gente me diz: nossa, mas precisava ir pro outro lado do mundo? E eu respondia: porque não?

Hoje, fazem exatos 1 ano que saímos de Curitiba e entramos no avião cheios de saudades, medos e ansiedade. Mas sempre fui dessas, que mesmo me borrando, até chorando, ia lá e fazia, quando achava que é o que seria melhor para mim. E cá estou, agora, 1 ano depois, escrevendo e olhando pela minha janela gigante da sala (que é quase a parede toda), sem grades, sem muros, o por do sol. Vejo o verde todo a minha volta, escuto os pássaros. Vejo crianças pequenas, acho que não tem mais que 5-6 anos, andando sozinhas, voltando do parquinho que tem atrás da minha casa.

Aqui não é perfeito. Nenhum lugar é. Mas não consigo me imaginar, neste momento, vivendo em nenhum outro lugar do mundo. Meu filho estuda gratuitamente em uma escola maravilhosa, tendo acesso a uma qualidade de ensino, que infelizmente, no Brasil, eu só vi em escolas internacionais, na faixa de 2-3 mil reais ao mês. Ele tinha hipertensão desde os 3 anos de idade. Esse ano, com 6 meses de Nova Zelândia, ouvimos do médico que ele está curado e pode parar os remédios. Em novembro de 2016, os exames dele estavam péssimos! A mudança de estilo de vida é a única resposta, nos explicou o médico, para o que houve com ele. Só isso já me faz ser eternamente grata à NZ. Não é raro, entre um cliente e outro (e quando desmarcam em cima da hora, rs), eu conseguir dar uma escapada e ir à praia ou encontrar uma amiga para um café. Ou dar uma corrida no parque, que não estava prevista na agenda do dia.

O que isso tem com Leis de Prosperidade? Cheguei aqui com medo, muito medo da escassez. Aqui se compra praticamente tudo à vista, e não conseguia abrir a conta corrente, minha reserva financeira estava acabando e por aí vai. Conforme fui ampliando meus estudos como coach e aprendendo mais sobre as Leis de Prosperidade e a neurociência por trás de tudo isso, as mudanças (internas) foram acontecendo. E isso, obviamente, se refletiu externamente. Conheci mulheres maravilhosas, com uma energia positiva, do bem, prósperas! E eu sou uma delas. Parei de me preocupar com o $. Como um mentor meu diz: tira o $ do olho que ele vem pro bolso. Resolvi aproveitar um dia de cada vez. Agradecer diariamente, muitas vezes, pelo que a NZ trouxe para minha vida e da minha família.

Então hoje, vejo que apesar de não estar naquela casa maravilhosa (na minha opinião claro rs), que tinhamos em Curitiba, tenho muito já, algumas coisas melhores inclusive. Nos últimos 7 meses, montamos uma casa completa, sem um dólar de dívida. Sem carnês, parcelas rsrsrs. Temos uma qualidade de vida que nunca tivemos. Nossa saúde melhorou muito. A intimidade que temos como familia, os 3, também aumentou: somos o apoio real de cada um dos 3. Fizemos inúmeras viagens pequenas, muito mais do que eu imaginava.

Além de tudo isso, a NZ me presenteou com inúmeras primeiras vezes. Algumas eu poderia ter feito já no Brasil sim…mas a vida me presenteou com essas 1as vezes aqui, e sou grata.

Minhas 1as vezes aqui na NZ:

  1. Fazer uma trilha de mais de 10 km (nunca fiz tanta trilha na vida como aqui rs)
  2. Ver um jogo de rubgy ao vivo
  3. Sair na rua de pijama e pantufa sem ter vergonha (yep, já fui no mercado de camisola e pantufa)
  4. Ver uma seleção de futebol jogando ao vivo (pois é, nao fui a nehum jogo na Copa nem nunca tinah visto nenhuma seleção jogando rs)
  5. Trabalhar como professora de crianças (sem ter formação para isso)
  6. Aprender e cuidar/ensinar a crianças com níveis diversos de deficiências
  7. Dirigir do lado esquerdo (meu maior desafio aqui!)
  8. O Pedro participa da lista dizendo: nunca andei sozinho na vida, só aqui !
  9. Ver animais que nunca vi na vida: weta, kiwi, panda vermelho
  10. Fazer balé (essa é a favorita da minha lista!)

Tudo isso que descrevi sobre a nossa vida aqui na NZ, para mim, é Prosperidade. Para alguns, prosperar é ter mais $$$. Eu acho que é ter mais $$$ também, mas que vai mais além, é ter mais saúde, alegria, momentos de plenitude, é sentir-se em sintonia com tudo que existe de próspero e positivo no universo. E hoje, eu sinto isso aqui, na NZ. E por isso sou grata 🙂

Se você acha este tema interessante, recomendo a leitura do livro As 7 Leis Espirituais do Sucesso, do Deepak Chopra.

Obrigada pela leitura, sei que esse texto ficou longo…

Beijocas& Gratidão!

Quase 1 ano depois…

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Daqui a poucos dias, faz um ano que tirei essa foto, da nossa chegada em Wellie. Impressionante como um ano passou rápido. Soa meio clichê, eu sei. Confesso que os primeiros meses aqui pareciam se arrastar. Apesar de estar impressionada com a beleza, segurança e outros pontos positivos, não tinha certeza alguma que conseguiria chamar aqui de “home” (lar).

Essa sensação permaneceu até após minha visita ao Brasil em março/abril. Costumo dizer que só me mudei mesmo pra cá quando voltei de lá. Será que eu não estava me permitindo viver mesmo a experiência, até não saber quando iria para o Brasil de novo? Quem sabe foi isso. Ou tudo mais que aconteceu desde que chegamos aqui. Assuntos pessoais que não vem ao caso, impactaram demais (da mesma forma que o fariam se eu estivesse no Brasil). Mas de abril para cá, as coisas realmente mudaram.

Para começar, em abril deixei de ser voluntária na escola onde meu filho estuda (Newlands Intermediate), para ser funcionária, trabalhando 20 horas. Agora estou saindo de lá em exatos 15 dias, para novamente, me dedicar com exclusividade ao coaching/mentoria. Trabalhar localmente, certamente ajudou em todo o processo. É muito difícil ter uma renda no Brasil (deixamos nossa casa alugada, e tenho clientes de coaching lá), mas gastar em dólar. Parece que o dinheiro escorre pelas mãos.

Somente no final de Abril compramos nosso carro. A casa só terminou de ser mobiliada essa semana (compramos as cadeiras da mesa de jantar, uhuuuuu. Agora ta tudo ok). Passamos meses sem mesa, cadeiras, rack/tv, sofá, cama. Não é algo hemorrágico, mas é estranho depois de ter uma casa própria toda decorada nos mínimos detalhes recomeçar assim de novo, aos 42 anos de idade.

Outro fator que considero extremamente importante foi em julho começar a formar um grupo de amizades mais concretas. Eu já estava desistindo, e olha que desistir não costuma fazer parte do meu vocabulário. Hoje, em novembro, tenho realmente um grupo de amigas que podem ser amizades verdadeiras, pra uma vida toda – pelo menos tem potencial para isso! São amizades que ainda estão crescendo, mas claramente faremos parte umas da vida das outras, independente do que o futuro nos reservar. A intimidade aconteceu num ritmo diferente do que seriam novas amizades no Brasil, isso tenho certeza. Criamos uma rede de apoio. Nos ajudamos e tiramos dúvidas do dia a dia. E ter essa rede de apoio faz tudo ficar mais fácil. Além de mais divertido.

Neste final de semana conversando com meu marido e filho, não conseguimos nos imaginar morando em outro lugar. Pelo menos não agora ou tão cedo. Sentimos saudades dos amigos e família, mas nunca tivemos a qualidade de vida que temos aqui.

E não é só qualidade de vida como um todo, estamos realmente apaixonados pela Nova Zelândia. Nos finais de semana geralmente vamos fazer trilhas na cidade ou arredores. Pequenas viagens de 2-3 horas. Cada passeio é uma surpresa incrível. Tanta coisa para ver e fazer, a custo zero (só o combustível). Sempre falamos de como seria maravilhoso nosso Brasil ter a estrutura e segurança daqui. Seria um paraíso, considerando as belezas naturais do nosso país natal.

Viver na NZ trouxe concretude à várias coisas que eu buscava na minha vida e que não conseguíamos ter no Brasil (não vou discutir os porquês aqui). Hoje, estou vivendo praticamente na plenitude do meu estado ideal, e isso não tem preço.

Por hoje, só quero agradecer a este país que nos acolheu e a tudo de bom que aconteceu em nossas vidas neste ano. Tivemos várias dificuldades, passei por coisas que nunca imaginei, mas certamente as dificuldades forem atenuadas pelas vantagens de se viver aqui. Como dizem, se a dor foir mandatória, o sofrimento é opcional! Ter essa atitude certamente facilitou nosso processo de imigração como um todo.

Resumidamente, queria te dizer, se você tem um sonho, não desista. Planeje, adie, mas siga sonhando. Se não pode dar um passo grande, dê um pequeno passo, mas siga andando. Eu nunca sonhei ou pensei que viria morar aqui, do outro lado do mundo.

Mas hoje posso dizer, que sem previsão/prazo de validade, que a NZ é nosso lar.

Thanks NZ. You´re trully awsome. ❤

 

Eu menti

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(Foto de Janeiro/17, Rotorua, NZ)

 

Depois de algumas conversas essa semana, especialmente ontem, percebi que eu havia mentido, sem nem perceber, mais de uma vez. Menti quando fui perguntada sobre “Já se acostumou aí“? Minha resposta padrão sempre foi: “Sim…na verdade penso que nem tem o que se acostumar…” (escrevi sobre isso também). Mas hoje me senti diferente da Fabi que imigrou em dezembro. Percebi em mim coisas que não havia percebido.

Quando tenho esses insights, tenho vontade de escrever. Me ajuda a organizar os pensamentos. Além disso, queria me retratar por ter mentido.

A primeira coisa que conclui, é que eu passei sim, por uma período de adaptação à vida aqui. Não foram só questões pessoais como falei em alguns textos anteriores. Mas eu não havia percebido isso antes. Essa adapatação tem vários cenários e é única para cada pessoa que imigra. Algumas dessas coisas, como a questão dos amigos, saudades da família, aconteceriam mesmo se eu mudasse para outro estado brasileiro. Outras adaptações, acredito que aconteceram somente por ser uma mudança maior…por vir aqui para Nova Zelândia mesmo. Esse é meu olhar ,certamente meu marido, por exemplo, já pensa sobre adaptação de uma forma distinta.

Algumas coisas que refleti sobre adaptar-se à vida na Nova Zelândia estão diretamente ligada as diferenças na forma de trabalhar e viver aqui, principalmente na parte de finanças pessoais. Como tudo se paga à vista e compra-se muitos objetos/móveis usados; temos que literalmente reaprender a nossa organização financeira.

Profissionalmente, damos alguns passos para trás. Fazemos coisas que nunca imaginamos fazer em termos de trabalho; como por exemplo, fazer um trabalho voluntário continuamente (e não uma hora por semana), para que isso te dê vantagens na hora de conseguir um emprego. Trabalhamos com uma flexibilidade de dias, horários, férias, dias de folga, que não conhecemos. E isso também é “se acostumar”. Eu por exemplo aceitei trabalhar em uma escola fazendo algo que nunca fiz antes.

Relembrei meu primeiro dia de trabalho aqui. Cheguei lá e fiquei procurando onde eu “batia o ponto”, onde registrar que eu havia chegado, já que trabalho por hora. Após alguns minutos, uma das funcionárias me perguntou o que eu precisava e eu expliquei: Como faço para registrar a minha entrada? O que se seguiu foi uma conversa muito inusitada, pois ela não entendia o que eu queria registrar! Até que eu disse: eu trabalho só 14 horas por semana. Se eu não apareço na escola, ou se eu chegar atrasada, como vocês vão controlar o meu horário para ajustar no pagamento? Ela riu e disse: bom, se você não aparecer na sala dos professores/staff na hora do morning tea (como o recreio), então a gente sabe que você não veio rsrsrs. Mas porque você precisaria registrar em algum lugar que chegou para trabalhar? Se você não puder vir você vai ligar e avisar não é? Expliquei como é no Brasil e ela achou tudo muito estranho.

Isso é só um exemplo de como meu mindset de brasileira, precisava se acostumar a vida aqui. Outro exemplo que lembrei, foi a questão de conseguir dormir. Gente, eu não dormi bem por uns 15 dias…e não foi pelo fuso! Foi porque eu me sentia extremamente insegura em dormir em uma casa sem grades, muros, com a porta que parece de brinquedo. E isso é louco demais! Pelo menos eu acho. Hoje pensando sobre tudo isso, vi que a gente se acostuma a muita coisa no Brasil, que na verdade são um choque para pessoas de muitos outros países, mais seguros.

Também me acostumei a não me assustar quando vejo notificação de terremoto no geonet. Nas primeiras semanas ficava preocupada. Agora entendo melhor a estrutura local, a segurança e também sei que não preciso do aplicativo. Se tiver um terremoto mais forte, eu vou sentir! Todos outros, abaixo de 5.5-6, acontecem sem eu nem notar.

Então, meus queridos leitores, desculpem por eu ter mentido. Eu não havia percebido que realmente, há muito o que se acostumar para viver aqui. É como seu a gente fizesse uma reeducação sabe? Também temos que mudar nosso mindset e reprogramar alguns conceitos.

A gente imigra pra cá e passa um tempo com “os dois pés atrás”. Pelo menos aconteceu isso comigo. Eu não estava acostumada com essa confiança toda. No trabalho, no supermercado (onde você mesmo passa suas compras e ninguém te pede recibo ao sair), no cinema (onde por mais de uma vez entramos sem ninguém conferir as entradas). Lembrei agora de quando compramos o carro. Fizemos o test drive e ninguém da loja entrou no carro com a gente! É muita coisa mesmo para se acostumar.

Não é só a saudade e o fuso, que eu e todos imigrantes falamos. Mas são a todas essas diferenças, sejam as maiores ou as pequenas. É se acostumar a ir na embaixada fazer seu passaporte, pagar e sair com ele em menos de meia hora. É se acostumar a ter várias opções de lazer sem custo. A andar pelas ruas sem ouvir uma cantada ou baixaria sequer, não importa como esteja vestida. A deixar seu filho de 11 anos ir e voltar sozinho a pé para escola, porque é seguro. Acho que eu dizia que não tinha o que se acostumar, porque a gente se acostuma rápido com o que é melhor!

É também se acostumar a não fazer manicure, pedicure e tudo mais que estava no seu ritual de beleza no Brasil. Ainda estou pensando porque eu fazia tudo isso lá. Eu gostava…ainda gosto de me arrumar e me cuidar. Porque me acostumei a não fazer tudo isso aqui? Porque lá eu me sentia mal em repetir uma roupa e aqui já fui ao mercado de pijama sem me sentir mal por um segundo? Acho que ainda estou achando o meio termo entre a vaidade e cobrança social que a mulher vive no Brasil e o “couldn´t care less” daqui. Mas isso vai ficar para outro texto!

Em março fui ao Brasil e em uma sessão com minha master coach linda, lembro que ela me falou: “Não sei ainda o que o universo está querendo te ensinar com essa mudança”. E eu na época respondi que também não sabia.

Aos poucos, acho que estou descobrindo a resposta. Estando tão longe e sem a estrutura de apoio emocional que eu tinha no Brasil, estou trabalhando as arestas que ainda precisavam ser aparadas no meu desenvolvimento pessoal. Eu comigo mesma, sabe? Estou percebendo, enquanto escrevo, que ainda tem muita coisa no meu mindset que está mudando. E está tudo bem. Não tenho problemas em dizer que percebi que não estava me enxergando com clareza nos primeiros meses aqui.

Sei que aqui estou aprendendo a valorizar coisas que já havia esquecido. Aprendi, assim como outros amigos imigrantes, a celebrar coisas que eu nunca celebrei no Brasil. Minhas vitórias aqui têm sido outras. Comprar um móvel para casa, comprar um carro usado (e batido! rsrs), o primeiro trabalho voluntário, a primeira oportunidade de quem sabe, fazer uma palestra.

Agora, estou sim, mais acostumada à vida na NZ. Mas sei que a qualquer hora posso me surpreender e fazer uma nova descoberta sobre o que mudei e não havia percebido.

Talvez o universo esteja me mostrando é que eu ainda estava mentindo para mim mesma. E agora, aos poucos, estou descobrindo algumas verdades sobre quem sou e sobre o que realmente quero para minha vida.

O que vestir no frio aqui?

Além de um café quente, o que mais pode te aquecer adequadamente aqui na Terra Média?

A resposta depende de onde você mora. Para você ter ideia, na ilha Sul tempestades de neves são comuns; já em Wellie, é raro nevar. E isso, claro, faz toda diferença no seu guarda roupas.

Antes de decidir o que trazer e o que deixar para comprar por aqui, tenha em mente alguns fatores como: a altitude de onde você vai ficar/passear, se neva ou não, ilha sul ou ilha norte, exposição ao vento? Em Wellie, a peça de roupa mais importante, recomendo comprar aqui: uma jaqueta windproof (à prova de vento).

É comum ouvir brasileiros/as falando da quantidade de roupas que tem que vestir e ainda sentem frio aqui. Como carioca que morava a mais de 20 anos em Curitiba, sou suspeita: para mim o clima em Wellie é MUITO melhor que Curitiba, que chegava a ter variações de 15 graus em um mesmo dia. Isso não é comum aqui.

Neste inverno, ainda não passei pelo frio que senti em Ctba no inverno passado. A menor temperatura que fez até o momento foi de madrugada e não senti rsrsrs (zero grau). Nos dias frios, a média é ao redor de 5 a 7 graus. Mas vários dias tivemos temperaturas ao redor de 10-13 graus com sol, uma delícia.

Recomendo lerem o guia sobre jaquetas da MacPac, uma das marcas mais conhecidas aqui (assim como a Katmandu). Ambas marcas tem outlets na cidade e várias promoções antes e durante o inverno. A jaqueta que mais uso, a título de referência, custou 100 NZD na promoção. É uma jaqueta down de 600. O que é isso? Isso é o que faz diferença quando você for comprar uma roupa adequada para frio aqui.

De forma MUITO simplificada, vou explicar o que é isso:

  • A maioria das jaquetas “puff” (essas cheias de gominhos rsrsrs), tem uma numeração na etiqueta ou na manga. Geralmente um numero bordado que diz 500, 550, 600 ou mais. Esse número está diretamente ligado à capacidade da jaqueta de manter calor. As jaquetas 500-550 são consideradas light, para dias amenos, mas não servem para encarar um frio de zero grau, por exemplo. Já jaquetas ao redor de 600-650 são ótimas para dias bem frios.
  • Pode usar na neve? Depende do tecido. Muitas jaquetas são 600-650 mas não são waterproof! Aí pronto, deitou pra fazer anjinho na neve e molhou…ficou úmida e tchau. Algumas jaquetas tem na etiqueta outra sigla: DWR, isso signfica que ela tem um pré tratamento e que é a prova dágua, ou seja, perfeita pra neve.
  • Em lojas baretex como Warehouse, você encontra dessas jaquetas de gominhos por 50-60 NZD. Não preciso nem dizer que essas nem número tem né? São como uma jaqueta dessas mais simples, compradas no Brasil mesmo.
  • Windproof: Nem toda jaqueta protege contra o vento. Ou seja, se você vai investir em um jaqueta para todas ocasiões por aqui, busque uma que tenha escrito “windproof”, assim você garante que não ficará congelado visitando a Terra Média!

Dicas adicionais:

Eu, particularmente, acho muito desconfortavel vestir quinhentas camadas de roupa, mas tem quem goste. Se você como eu, não gosta, recomendo você investir em algumas roupas “térmicas”. São camisas e calças cujo tecido tem a propriedade de reter calor. Em geral são bem fininhas, mas fazem toda diferença em dias frios. Já peguei -20o C (não aqui! Em Praga rsrs), usando somente essas roupas, uma blusa de frio fina e um casaco adequado para neve por cima.

O preço médio das termicas aqui é 15-20 NZD nas promoções. São fáceis de achar: Kmart, Warehouse e as de mais qualidade: MacPac e Katmandu.

Outra dica boa, além da térmica, é investir em uma ou duas blusas e algumas meias de MERINO. Esse é um tipo de lá típico daqui, uma maravilha.  Vou resumir pra você porque ela é melhor: é o tipo de lã que recobre ovelhas que vivem no extremo sul da Nova Zelândia. Elas não morrem congeladas rsrsrsrs… Se você quiser saber mais sobre o tema, esse link aqui é bacana.

O que eu recomendo então você deixar para comprar aqui, para ter um bom kit de inverno na NZ?

  • Uma jaqueta leve windproof (porque aí vc pode usar mesmo no verão em dias frios à noite). Uma 500 já tá ótimo.
  • Uma jaqueta “invernão” ao redor de 600-650, waterproof
  • Duas ou mais blusas térmicas
  • Se você é friorento/a demais ou vem de regiões quentes, recomendo comprar a calça termica também. Eu nunca usei/senti falta.
  • Uma ou duas blusas de Merino
  • Uns 2-3 pares de meia de lã de merino (ou meias térmicas)

Fora isso o básico mesmo…gorros e cachecóis. Os valores aqui são parecidos com o do Brasil, então fica a seu critério trazer ou comprar aqui. Luvas eu nunca usei, mas moro na ilha norte, em Wellie, que é nivel do mar. Tenho um par bom para poder ir dar uns passeios onde neva. Ah protetores de ouvido são itens importantes se você costuma andar exposto ao clima. O vento gelado do inverno dói dentro do ouvido…e imagino que ter uma otite por aqui não seja uma experiência agradável!

Uma outra dica, independente da estação, é a capa de chuva. Aqui não se usa guarda-chuvas, venta demais. As capas são fininhas e você enrola nema própria e vira o saquinho para carregar. Se você costuma andar a pé por aqui, é imprescindível. As crianças que vão e voltam da escola sozinhas sempre tem na mochila.

Espero que você tenha gostado das dicas e se você lembrar de algo que esqueci de partilhar, comenta aqui também!

 

 

Imigração, sofrimentos e a sua turma

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Nova Zelândia: Essas 2 pequenas ilhas na Oceania estão na mídia o tempo todo ultimamente. Os índices de qualidade de vida daqui e toda situação econômica-política do Brasil, são ingredientes perfeitos para a Nova Zelândia virar o novo destino preferido para quem busca imigrar.

A minha história de imigração é um pouco diferente da maioria que conheci aqui. Não tem o planejamento de anos como de muitas pessoas,  não tem sofrimento por causa do idioma, que já dominávamos (isso faz muita diferença na sua adaptação imigratória), não houve dificuldades em adaptar-nos a cultura local (com pequenas diferenças, muito do estilo de vida era exatamente como queriamos viver). Já falei sobre isso em outro post, nossas dificuldades nos primeiros meses foram pessoais, coisas que passaríamos mesmo que fosse no Brasil.

Nem todo processo imigratório precisa ser sofrido. Ressalva importante: não estou falando de ser fácil ou difícil conseguir visto, emprego, etc. E sim de como você lida com tudo isso. A gente não precisa sofrer e chorar tanto para ser feliz e viver a vida que desejamos!

A vida pode sim ser mais fácil…nossas escolhas podem ser feitas com menos sofrimento.

Hoje, mais madura pelos aprendizados do processo, vejo claramente que não foi simples, fácil do tipo: vamos imigrar e tudo está resolvido. Mas também não foi o maior sofrimento do mundo (e algumas vezes eu achei que era!). Não é fácil admitir, mas eu digo…muitas dores que tive derivaram de medo, insegurança, apego, orgulho, vergonha (falei disso no texto aqui, no projeto DRAFT), etc.

Fala-se muito da questão das saudades. Eu tenho, todo mundo que imigra tem. Mas precisa ser uma saudade dilacerante que faz você sofrer todo santo dia? Se você for passar a sua vida toda sofrendo porque está longe de quem está no Brasil, será que vale a pena sair? Não tenho a resposta, estou só provocando a nossa reflexão mesmo! A resposta é muito pessoal. E não tem resposta certa, tem a SUA resposta.

A minha é que sim, vale a pena. Mas não se você for viver reclamando todo santo dia, comparando sua vida aqui com a vida que tinha no Brasil. Imigrar é mais do que tudo, um grande exercício de desapego, de autoconhecimento e crescimento pessoal. Escolher e saber viver com a escolha que fez.

Semana que vem completam 8 meses que saí do Brasil. Muitas coisas boas e aprendizados. Mas tinha uma coisa que ainda me incomodava muito. Apesar de extrovertida e ter procurado através de iniciativas diversas (academia, trabalho, grupos no face, etc), conheci várias pessoas aqui, brasileiros e locais, mas não tinha achado a “minha turma”.

E nos últimos dias tenho vivenciado uma experiência diferente, mais leve, mais divertida e com mais identificação. Cada um no seu quadrado já diz a música. Aqui, até o presente momento, me sentia isolada no meu quadradinho!

Já havia conversado sobre isso com várias pessoas aqui e no Brasil, sobre isso. Nenhuma de nós tem a resposta. São várias situações distintas: Tem brasileiro que evita mesmo e não quer contato com outros brasileiros. Tem brasileiros que são casados com locais e estão tão integrados, tem sua rotina tão estabelecida, que não tem tempo ou espaço para conhecer novas pessoas. Tem gente que simplesmente não gosta e não quer fazer novos amigos. Tem também os que você acha que vão ser grandes amigos, fala direto nas mídias sociais, face, whats…mas nunca tem tempo ou espaço na agenda para te encontrar. E tem aqueles que realmente viraram amigos, mas que moram longe ou os horários da rotina da família não batem, acontece.

Ou seja…Exatamente como no Brasil!!!! Não é porque você imigrou. Quando entendi isso, tudo mudou. É porque você não achou ainda a sua turma! Quem já mudou de cidade mesmo ainda no Brasil, passa exatamente pela mesma coisa.

Mas não desista. Eu não desisti. Siga fazendo sua parte e confie. Uma hora as energias se atrem, as coisas fluem, as amizades aparecem. Nem todos vão ser amigos de verdade, faz parte do processo. Mas divirta-se na jornada, não foque na finalidade.

Se você sentir aquele calorzinho dentro do peito ao ver algumas dessas pessoas, como eu tenho sentido, talvez você tenha então encontrado a sua turma. E isso com certeza, imigrante ou não, faz seu dia a dia ser mais colorido. 

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Tenho mais asas que raízes

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          (Foto do meu arquivo pessoal, em Lyall Bay, Maio 17)

Tenho mais asas do que raízes. Muitas das minhas memórias de infância envolvem viagens. Meu pai era um grande planejador de viagens. Lembro de passarmos vários dias viajando de carro, parando em várias cidades no caminho, até chegarmos ao nosso destino final. Desde pequena virei companheira deles em muitas dessas viagens, eu adorava. Em uma delas, eu já devia ter uns 19 anos, meus irmãos não foram. Viajamos só os três e fomos de Curitiba até o Uruguai de carro. Foi uma das melhores viagens que já fiz.

O Brasil sempre foi um país de altos e baixos (mais baixos, infelizmente), educar nunca foi fácil – lá ou em qualquer lugar do mundo. Educa-se principalmente pelo exemplo (minha opinião), e meus pais sempre me deram exemplos de pessoas que lutam pelos seus sonhos…e que sonhos! Os dois mudaram completamente de vida com mais de 50 anos, aprenderam a navegar, compraram um veleiro, se prepararam e saíram para dar uma volta ao mundo. Viver 7-8 anos em um veleiro, era o projeto. Mas depois de 2 anos e meio (ou 3, agora fiquei em dúvida), sofreram um acidente em alto mar. Resumindo a história, acabaram morando nos EUA por vários meses, quando o furação Francis passou por lá e destruiu boa parte da cidade onde eles viviam; quando então, eles resolveram voltar para o Brasil.

Isso foi em 2004 e desde aquela época minha mãe brinca que só passa mal/fica doente quando está no Brasil. Meus pais não são ricos, também não são pobres… Tem um certo patrimônio adquirido com muito suor e esforço dos dois. Meu pai, com mais de 70 anos, ainda acorda várias vezes as cinco e meia da manhã para viajar e dar suas aulas de navegação. E faz com amor, muito amor!

Eu cresci vendo um pai que trabalhava muito e não me parecia feliz de verdade com o seu trabalho. Acho que ele nem sabe que eu o via assim. Trabalhar parecia algo que cansava demais, precisava de muito esforço e que roubava tempo das coisas boas e divertidas rs. Hoje, nas oportunidades que tive de vê-lo trabalhando, vi um homem pleno, completamente realizado, sem cargos, sem posições. Puxei a ele, acho. Ele se realizou e descobriu que tem asas. Ou melhor, com a paixão pelo mar, devo dizer que ele tem guelras e nadadeiras?

Porque estou falando tudo isso, qual a relação com viver na Nova Zelândia? Meus pais, através do exemplo, me fizeram ser uma apaixonada por viagens, conhecer pessoas e novas culturas. Está no sangue. Desde muito nova, escutei deles como eu deveria aproveitar qualquer oportunidade de viajar e aprender.

Eu não sei bem explicar porque, nem como, mas sempre tive certeza que nunca moraria para sempre no Brasil. Eu não tenho vergonha de dizer que não tenho esse apego à minha terra. Aliás, à terra nenhuma. Gosto muito daqui, mas volta e meia me pego lendo sobre o próximo lugar que quero morar. Aos 42 dois anos, se sinto cheia de vida e vontades ainda, diversos lugares que ainda quero conhecer, explorar e mesmo morar por um tempo.

Quando volto a morar no Brasil? Provavelmente não tão cedo. Eu não tinha certeza disso até recentemente. Vejo textos de vários brasileiros fora de casa falando da dualidade e do sofrimentos de estarem longe.

Foi quando me dei conta que não tenho esse conflito. O que não deixa de ser engraçado, visto que eu não sabia praticamente nada sobre a Nova Zelândia até poucos meses antes de me mudar para cá.

Eu não sinto falta de nada do Brasil. Só das pessoas que amo e que estão lá. Mas ainda bem que existe tecnologia e que eu tenho asas, e posso, vez ou outra, voar para lá e matar as saudades.

 

Porque você não vai gostar de morar em Wellington, Nova Zelândia

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Este mês tem 6 meses que me mudei para Wellington, capital da NZ, de mala e cuia. Sem saber exatamente o que me esperava, porque nunca havia visitado o país ou a cidade, vendemos nosso carro, deixamos a casa para alugar e nos desfizemos do maior número possível de coisas. O que não conseguimos vender, parte foi doado, parte ficou no sótão da casa dos meus pais.

Sou apaixonada pelo país e mais ainda pela cidade. Mas essa é a minha opinião. a minha realidade. O que não a torna necessariamente uma verdade absoluta, nem quer dizer que você vai gostar de morar aqui!

As dificuldades que tivemos para imigrar foram por assuntos pessoais e nenhuma (exceto a demora do visto do meu filho) foi pelo fato de termos imigrado para NZ.

Já li e ouvi muitas pessoas falarem de como é difícil se adaptar aqui, mas minha experiência é distinta. Sim, tem as dificuldades de sentirmos falta dos amigos e da família, dos primeiros meses eu estranhar muito não ver gente pelas ruas…da sensação de inadequação por ficar em casa a maior parte do tempo (provavelmente sentiria o mesmo se ficasse assim no Brasil). O fuso de 15 horas dificulta falarmos com quem amamos na hora que queremos e a distância grande, faz com que não possamos estar com amigos e família de uma hora para outra, seja para celebrar ou para nos fortalecermos nas horas difíceis. Mas a adaptação em si, a cultura e ao local, foi muito rápida. Logo nos sentimos em casa, no lugar certo.

Você não vai gostar de morar aqui se não gosta de ter contato diário com a natureza. Simples assim. A cada 2-3 minutos que andamos em uma direção diferente, há uma nova paisagem. Como brincou um casal de amigos ao visitar a cidade este mês: “Ainda não achamos um lugar feio aqui”. Seis meses depois, eu também não.

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Você não vai gostar de morar aqui se não gosta de cultura. Museus, esculturas, street art, galerias, eventos de música, cultura maori, etc e etc gratuitos o tempo todo. Tantos que mesmo sendo apaixonada por isso, não consigo ir a todos que desejo.

Estranho quem diz que não há o que se fazer em Wellington! Todo mês recebemos pelos correios um livreto chamado Our Wellington, um guia gratuito do que fazer na capital durante o mês.

Só para exemplificar, neste mês, entre outros eventos, o guia comentava e nos convidava para:

  • Passeio noturno guiado pelo zoológico
  • Matairangi Nature Trail, uma nova trilha para passeio de todas idades
  • Tour gratuito nos meses de inverno para explorar e conhecer melhor o Jardim Botânico local, Otari Wilton´s Bush e Truby King Park (não conheço ainda os 2 últimos)
  • Inúmeros eventos gratuitos de celebração do Ano Novo Maori, o Matariki
  • Kia Mau Festival, um festival de dança com duração de 3 semanas
  • Concerto de música contemporânea dentro do Observatório Espacial Carter

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Você não vai gostar de morar aqui se gosta de trânsito, prédios arranha-céus para todos os lados, barulhos, luzes e agito de uma metrópole. Como na foto acima, aqui parece uma cidade do interior…mas provavelmente como era uma cidade do interior do Brasil a muitas décadas atrás. É comum você andar várias ruas e não ver comércio nenhum. Lojas, restaurantes, academias, petshops, etc, ficam mais restritos a centros comerciais.

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Você não vai gostar daqui se não gosta de trilhas e passeios ao ar livre. Praias como a da foto acima, muita vezes, são acessíveis de carro somente até uma parte. No local onde essa foto foi tirada, fizemos uma trilha com total de 16 km.

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Você não vai gostar daqui se vive um ritmo muito acelerado. Viver na NZ, especialmente em Wellington, é entender e apreciar que as quatro da tarde já é hora de encerrar o trabalho, e se estiver sol, aproveitar para beber e comer com os amigos no Waterfront, ou levar os filhos para passear e brincar na praia, ou no parquinho…

Além disso tudo, se você faz questão de ter muitas variedades de marcas, lojas, shoppings, certamente sua adaptação será muito mais difícil. Aqui você encontra tudo o que precisa, mas são poucas marcas, poucas lojas (ou várias das mesmas) e shopping fora da cidade (ok, de carro é muito mais perto até do que shoppings que eu ia mesmo em Curitiba).

Já me perguntaram, mas tem bar, balada aí? Tem sim! Olha, passeia nas ruas principais do centro as oito da noite de qualquer dia. É um agito só! Uma balada colada na outra, e aqui não se paga para entrar. É normal em uma noite você ir a 3,4 até 5 bares/baladinhas diferentes. Mas fique esperto, porque as 10 da noite a cozinha fecha e você só consegue beber rsrsrs.

Os cafés e restaurantes da cidade são ótimos…Wellington é famosa pelos seus cafés. Aqui tomei o melhor cappucino e o melhor chai latte da minha vida. JURO. E diferente dos EUA, o café aqui é muito bom.

Como você pode ver, caro leitor, existem vários motivos pelos quais você não vai gostar de morar na Nova Zelândia…mas muitos deles são exatamente os motivos que me fizeram ser apaixonada por esta terra.

Como gosto, religião e futebol não se discutem, deixo à seu cargo decidir se você vai se apaixonar por aqui. Ou se não deve nem chegar perto da agora, também minha, Wellie.

6 meses de NZ

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São 6 meses vivendo do outro lado do mundo. Uma conclusão recente é que nós já éramos kiwi e não sabíamos. Enquanto muitas pessoas estranham e demoram para se adaptar a vida do outro lado do mundo, aos hábitos e costumes locais, nós achamos que essa parte cultural foi muito fácil para nós 3. Talvez porque somos uma família que gosta muito de esportes e outdoors, que estava justamente buscando esse estilo de vida. Não sentimos falta de agitação de cidade grande, lojas, shoppings, etc. Adoramos o fato de tudo aqui ser outdoors e como eles vivem isso ao máximo. Em termos de consumo, são poucas marcas, não há muita diferença entre as poucas existentes. Minimalismo é a vibe do país. O clima, que assusta muitos brasileiros, para nós está muito melhor que o de Curitiba (que brincamos ter tempo bipolar).

Muita coisa aconteceu, aqui alguns números, curiosidades que ainda não havia publicado e coisitas más.

  • 6 meses de NZ, chegamos 2/12. Dei entrada no visto de work/partner dia 16/12, meu visto saiu dia 20/1.
  • Com o visto nas mãos, comecei a procurar emprego. Nenhuma entrevista sequer. No dia que começaram as aulas do Pedro, 30/1, me ofereci de voluntária na escola, fui aceita e comecei no dia seguinte. Aqui trabalho voluntário é super valorizado.
  • Dia 27/2, cheguei no Brasil para trabalho e resolver algumas pendências e no mesmo dia recebi o email me oferecendo trabalho na escola (Newlands Intermediate School). Fui convidada para trabalhar como Teacher Aide, um cargo que não existe no Brasil. Considero uma mistura de coach de crianças com professora de reforço. Trabalho só 14 horas por semana. Menos de 2 dias por semana (comparando com horário integral).
  • Em 6 meses aqui já conhecemos as cidades de Rotorua, Taupo, Auckland, Coromandel, fora diversas outras pequenas no caminho. Ou seja, viajamos MUITO já para tão pouco tempo.
  • Já fiz mais trilhas na NZ do que havia feito na minha vida toda (sim, nunca tinha feito muitas trilhas rsrsrs). Aqui tem uma ótima estrutura para isso. Já fizemos uma de 15 km, outra de 8 km e outras menores. O Pedro foi tranquilo em todas elas. Aliás, é quem menos cansa rsrs.
  • Apesar de ter dias que acho um saco cozinhar por compromisso, por outro lado, descobri que gosto de cozinhar e criar minhas próprias receitas saudáveis.
  • Agora vão me crucificar, mas achei um desperdício de dinheiro Hobbiton. É bonitinho, mas 79 NZD (cerca de 181 BRL) para menos de 2hs de passeio? Sei lá. Tem que ser super fã mesmo rs.
  • Waitopu é um dos lugares mais magníficos que já visitei na minha vida. Apesar do cheiro forte de enxofre, é incrível ver o que a natureza é capaz de fazer. Super recomendo.
  • Viciei (e agora estou em abstinência) nos chocolate fishes. Marshmellows cobertos de chocolate no formato de peixinhos…HUMMMMM.
  • Apesar de morarmos a 6 meses aqui, ainda não demos a volta completa na ilha que moramos. Tem TANTA coisa para se ver e fazer, que ainda não vimos tudo. Engraçado, considerando que é um lugar tão pequeno. (Lembrando que a NZ toda, as duas ilhas juntas, tem 1600 km de extensão aproximadamente).
  • Já andei em 6 meses aqui mais que em um ano inteiro no Brasil. O Pedrinho costuma falar que faz mais de uma maratona por mês, pois para ir e voltar da escola anda 2.5 km por dia. Multiplica por 20 e já são 50 km! Mas ele vai alguns dias comigo de carro.
  • 6 meses e sentimos 3 terremotos. Mas tem terremoto praticamente todos os dias, só que são tão fracos, que não sentimos. E a estrutura é tão preparada para isso, que para cair/quebrar algo, tem que ser um terremoto forte. Os que sentimos foram acima de 5 pontos. Mas muito rapidos. Parece que está passando um caminhão grande na rua, ou que bateu um vento forte. Obviamente não faço questão de ter experiência mais fortes neste tema!
  • Não se usa guarda chuva aqui. Eles fazem tudo na chuva normalmente. O dia que usei brincaram comigo que era “bonitinho”  eu usar. E que aqui eles saem na chuva mesmo simplesmente porque depois que parar de chover, seca. Rsrs.
  • Não estranhamos a comida, apesar de sentirmos falta de buffet por kg. Tem poucas frutas comparando-se com o Brasil. Os laticinios tem um sabor mais acentuado. O leite, queijos e os chocolates são maravilhosos.
  • Compramos alguns móveis por preços inimagináveis no Brasil. Apesar de usados, estão em perfeito estado. 2 poltronas sendo uma reclinável, por 40 NZD as duas (cerca de 90 reais). Um sofá de 2 lugares por 60 NZD (cerca de 130-140 reais).
  • Ainda hoje me impressiono com o ensino por aqui. Por estar dentro das salas de aula, vejo muito de perto como a educação funciona aqui. Mais de uma vez já tive que esconder as lágrimas pensando em como é o ensino no Brasil comparado ao daqui…mesmo sendo público!
  • Aprender a dirigir do lado contrário foi um grande desafio e medo superado. Confesso que ainda estranho um pouco. Mas o fato de 99% dos carros serem automáticos é algo que me agrada muito!

São 6 meses de uma vida nova, após apertar o botão de reset e sair do Brasil, ficar longe dos amigos e da família. Mas hoje, nenhum de nós consegue imaginar voltar para o Brasil tão cedo. Não foram só flores, mas de forma geral, conseguimos em 6 meses muito mais que em alguns anos no Brasil. A qualidade de vida que temos aqui não tem preço.

O glamour da imigração

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O título do post chama atenção mesmo. Quem escreveu sobre este tema e me inspirou a partilhar minhas reflexões, é uma amiga jornalista, a Andrea Medeiros, do familia kiwi.

Você pode ler o artigo dela aqui.

Achei super interessante e concordo com o ponto de vista dela. Mas na minha experiência de vida, vejo que esse “glamour” não é só ligado a imigrar. Vivi isso na pele muitas outras vezes e também tive uma visão errada, glamourizada sobre outras pessoas, em algumas situações.

Quando eu era executiva de multinacional, era frequente ouvir como a minha vida era puro glamour. Viajar e ter reuniões em Paris, Dublin, Copenhagen, New York. E era ótimo mesmo. Mas também tinham reuniões após 5 horas de carro no interior do Paraguai (sem saber se o carro ia conseguir passar por causa da lama! rsrs), ou no interior do México, dentro de um curtume e seus odores próprios.

Também tive aniversário sozinha em aeroporto, com vôo cancelado. Assédio sexual, acharem que eu era prostituta na Alemanha e não quererem me deixar embarcar. Ah, também já acharam que eu estava traficando drogas porque estava carregando mais de 5 suspeitíssimos pacotes de chocolate Lindt (quem faria isso, certo?).

Ou seja, como tudo em nossas vidas, as pessoas tendem a ver só um lado. O lado que elas querem ver. E muitas escolhem o lado que as torna vítimas, coitadas, azarados. Enquanto os “outros” conseguem tudo, sempre. E a grama do vizinho continua crescendo, mais verde qua a deles, sempre.

Muitos invejavam meu emprego, mas poucos tem coragem de recomeçar a vida profissional ganhando muito menos. Esse foi o meu caso quando entrei na Novozymes. Saí de uma empresa com um salário de gerente e recomecei, como assistente de projetos, com contrato temporário! Até chegar a account manager e fazer as viagens que tanto eram invejadas, foram muitos anos, erros, acertos, frustrações e dúvidas! E nem vou falar aqui sobre as dificuldades de ser uma executiva.

Agora no caso da imigração. Vamos lá, conhecer mais do glamour todo.

No Brasil tínhamos toda uma rede de suporte (diarista, família que ajudava com o Pedro quando tínhamos compromissos, uber, carro, van, etc). Aqui não temos nada disso. Existe uber sim, mas os valores são altos, poucas pessoas usam o serviço, não é como no Brasil. Diarista: aqui existe, mas é bem menos comum e quando você pensar em serviço, aqui vai pagar bem mais por isso. Como minha amiga bem colocou, aqui na NZ, a cultura é do DIY. Faça você mesmo. Porque eles gostam? Sim, também, mas por custos. Puro glamour!

Na nossa vida de imigrante glamourosa, alugamos uma casa de 3 quartos bem antiga.

A coifa do fogão não tem filtro até hoje, apesar das nossas inúmeras reclamações com o proprietário. Se eu frito qualquer coisa, parece que incendiou a casa. Meu filho ainda não tem cama, o sofá chegou ontem (EEEEEEE, depois de 5 meses sem sofá, você iria pular de alegria como eu). Minha mesa de escritório foi doação de amigos mês passado. Os 2 móveis que usamos como criado mudo no quarto tem lascas, riscos e foram comprados em um brechó semana passada. Tem janela que não abre…emperrada e mesmo depois de mil limpezas, cheias de resto de sujeira e limo por fora, impedindo que sejam abertas adequadamente.

Nossa vida “ryca” tem um carro poderoso…um volvo S80 que amo. Ano? 2004. Lataria? linda, riscada e com vários amassados. Adquirido com muito esforço e extremamente celebrado, no final de abril (lembrando que imigramos dia 2/12/2016).

Quer mais? O visto do meu filho ainda não saiu por questões de saúde dele (nada sério, mas aqui eles são bem rigorosos em dar visto para quem tem alguma questão pré existente). Essa semana a imigração nos procurou e pediu vários exames, além de consulta e relatório de um especialista. Está sentado/a? Uma consulta 400 dólares. Um exame 620 dólares.

Aí vocês podem dizer: Mas Fabi, você imigrou porque quis, porque está reclamando? Não gente, não estou reclamando. Só estou contando o outro lado.

E se você aí leitor está pensando: por que você não usou o seguro viagem? Por que não fez plano de saúde, etc, etc? Saibam,  não tem como colocar ele no plano de saúde aqui, é ILEGAL. Mesmo pagando o plano. Só é permitido inclusão de pessoas que tem visto acima de 1 ou 2 anos. Como no momento o visto dele não é igual ao meu e o do meu marido, não pode. Seguro viagem: Claro que fizemos, tem validade pelo prazo da viagem. A passagem do Pedro, como a minha era pra voltar para o Brasil em março.

Quem me conhece sabe, eu foco no positivo. Mesmo em horas de aperto, tento ver o outro lado, entender o que o universo está querendo me dizer.

É óbvio que existem dificuldades aqui. Como existem aí também! Como brinco: toda jornada de herói tem a parte das dificuldades.Como coach, falo isso diariamente: o importante é você aprender a viver e estar feliz com a escolha que fez. E se não estiver, escolhe de novo! 

Existem excessões? Claro! Existem imigrações que foram mais simples que a nossa. Se você tiver uma boa reserva financeira, facilita muito! Se for expatriado e a empresa colocar tudo que você tem em um container, também fica mais fácil. Mas cada um sabe das suas dores e amores.

O glamour da nossa vida hoje, na minha opinião, é viver sem ter medo. De verdade, acho isso chique demais. Posso ir e vir. Vestida como quiser. Mini saia, short, sozinha, à noite, não vou ter medo de ser assaltada ou coisa pior. Sair pra correr com o iphone e à noite sozinha? LUXO puro!

Meu filho pode andar por tudo sozinho. Frequenta uma escola onde crianças de 11 anos tem em aula discussões sobre inovação, assistem TED´s de sustentabilidade. Também podem criar projetos/assistir a aula sentado na cadeira ou deitados no puff…Ou produzindo na área de conhecimento partilhado (basicamente um corredor cheio de cadeiras, puffs sofás, quadros e flipcharts). Isso sim é glamour. Um glamour que eu nunca tive acesso, mesmo estudando em escola particular.

Glamour hoje para mim é acordar e ver paisagens maravilhosas diariamente, mesmo sem ter pares de sapato novos no guarda roupa, ou qualquer outro objeto que eu tinha em mais quantidade no Brasil. Vivemos uma vida mais leve, mais VIVA, quando comparo com como vivíamos lá.

Mas essa é a minha realidade, não sei como é a sua. Reforço: Estou muito feliz aqui sim. Tanto que não queremos mais voltar. Mas isso não quer dizer que é tudo bom, lindo e fácil.

Glamour mesmo, é saber o que se quer da vida, e ir atrás disso. Porque muita gente tenta, a maioria desiste e, poucos realmente fazem. Quem me conhece já sabe em que grupo eu estou!

 

 

5 meses!

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5 meses de NZ! Wow. Voou. Ok…passei um mês no Brasil (março), então tecnicamente estou aqui a 4 meses. Deveria estar escrevendo mais sobre a vida aqui, mas vamos lá, um resumão destes 5 meses.

O óbvio: é claro que sinto falta dos meus pais, família em geral e amigos. Também sinto falta do coworking onde tinha a minha rotina, os cafés onde atendia, fazer coaching face a face e ir aos treinos de corrida com a equipe… Ver os amigos do Dojô, comer cupcake na Goodies, dar uma relaxada fazendo massagem lá no Tereza no Cristal, yada, yada, yada.

Morar em uma cidade pequena é muito diferente para quem nasceu no RJ e só tinha morado em Rio, Recife, Curitiba e EUA. (sim, Wellie é a capital da NZ, mas tem menos de 500.000 habitantes!).

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A maior diferença no entanto é a cultura. Digo e repito que estou gostando muito de morar aqui, mas que acho bem difícil para pessoas muito urbanas se adaptarem. A cultura é a antítese da americana, do consumismo exarcebado, do ter invés do ser.

O noticiário fala basicamente do clima, animais (sejam achados em uma rodovia, acidente com estes ou os pinguins que chegaram na cidade rsrsrs), política (pouco, mas falam da UK, algo local e volta e meia do Trump) e esportes.

No dia a dia, looks/estilo e coisas do gênero pouco importam. São poucas lojas (várias das mesmas…pouca diversidade), mas não acho incômodo. Tem uma marca local, a Katmandu de roupas esportivas/outdoors. Duas grandes lojas de departamento: Warehouse (tipo uma Americanas), Briscoes (uma Camicado rs). Além destas em uma cidade próxima tem uma Kmart. Muitos brechós. Salvation Army, St Paul Hospital, Mary Hospice e por aí vai. Mil grupos de facebook de troca/compra/venda de usados. TradeMe…um site local onde se acha de tudo: de empregos à roupas usadas, móveis.

Tudo que é fabricado localmente é mais caro. Meu marido diz que kiwi é o gaúcho do mundo (nada contra gaúcho…alías meu marido é um rsrs). Móveis novos são caros…e você encontra o que precisa usado. Fácil. Essa semana compramos (finalmente!) 2 poltronas (ainda não temos sofá) e pagamos 45 NZD pelas duas no Salvation Army.

O transporte é limitado. Imagine…com essa “enorme” população, como integrar? Não tem demanda suficiente. Os ônibus são ótimos, novinhos e extremamente pontuais. No meu bairro passam a cada 30 minutos diariamente, exceto finais de semana e feriados que muda para 1h ou 1h30. A distância do centro? 9.9 km. De descida. Beleza pra quem é fã de bike. Puxado é voltar, uma baita subida.

O que aprendi nestes meses? Que seguimos na jornada do desapego. Não temos muitas coisas (quando comparamos como era nossa vida no Brasil).

Mas na prática o que realmente precisamos, o que realmente faz falta?

No começo desse mês quando voltei do Brasil analisamos isso e chegamos a conclusão que era um carro. Realmente. Com o clima começando a esfriar, chuvas e ventos fortes, estava sendo um saco ficar nesse sobe e desce ladeiras para qualquer coisa.

Ando lendo muito sobre minimalismo e lowconsumerismo. Cada vez mais tudo isso faz sentido para mim.

Pepe não tem cama ainda e não sente falta. Não temos ainda mesa de jantar nem sofá (mas temos poltronas!!! EEEEE…super comemoradas hahahah). Não temos microondas, liquidificador (esse último acho que vou comprar). E olha, no dia a dia, tudo tá ok. Cozinhamos, limpamos a casa, passeamos, nos divertimos.

Em 5 meses aqui tenho CERTEZA absoluta que nós andamos a pé mais que em um ano (ou mais) vivendo no Brasil. Também fizemos mais passeios e viagens curtas do que fizemos em 2 anos no Brasil.  Aqui há uma exuberância do que fazer em termos de outdoors, e nós adoramos isso.

Mesmo se você não tem grana sobrando, acha algo para fazer com uma beleza estonteante. Semana passada fomos dar um passeio de carro até o outro lado da ilha que não tínhamos ido ainda. Coisa de uma hora de passeio…e um cenário maravilhoso. Descer do carro, andar pelas pedras, admirar a paisagem. Não tem isso de passear em shopping! Alías tente explicar para um kiwi porque você vai passear num shopping…para eles isso não faz o menor sentido. Shopping é para ir em alguma loja específica que você não achou no centro ou porque você mora do lado dele e vai lá comer algo rápido. Shopping aqui (em Wellie) é BEM diferente do Brasil. Pequenos mesmo…lembra galerias de cidade de praia rs.

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Uma coisa que gosto muito daqui é o brunch…final de semana tem várias opções de lugares legais para comer seu “café da manhã/almoço”. E se o tempo ajudar, tomar um brunch em frente a qualquer uma das praias daqui é uma ótima forma de começar o final de semana, não acham?

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O que eu não gosto aqui? Bom, ninguém nos preveniu sobre as casas. Alugar aqui não é fácil…você procura muitas casas e a maioria tá bem detonada. Gente, só posso falar por Wellie, porque é onde moro viu? Aqui é bem comum as casas estarem para alugar e você ter dificuldade em achar uma sem mofo, sujeira incrustada nas janelas, etc. Aliás o padrão de limpeza deles é BEM diferente do nosso. Meu marido passou dias esfregando a casa antes da gente chegar aqui. E quando eu cheguei fizemos faxinão por dias. Mas até hoje tem janela que não abre…e se eu tento limpar cai pedaços das madeiras. Como eu lido com isso? Bom, nós limpamos bem a casa por dentro. Pensamos em procurar outra casa, mais nova, mais para o final do ano. Mas sei que não é fácil encontrar uma casa muito melhor sem pagar muito mais.

O vento a gente acostuma (sigo achando chato, mas não me mudaria daqui só por causa disso). O clima acho muito parecido com Curitiba e na verdade melhor. Pelo menos não faz 4 estações em um dia e a gente não precisa andar como cebola. Se faz frio é frio e ponto. No geral a temperatura não varia muito.

O que mais? Aranhas. Tem bastante aranha pequena por tudo hahahah. Limpamos e no dia seguinte elas brotam de novo. Meu marido acha bom, diz que assim não temos moscas hahaha.

Queria que tivesse restaurante por kilo, sinto falta dessa facilidade. Aqui a gente cozinha muito mais do que cozinhava no Brasil. Menos opções para comer fora (que caibam no orçamento). Os restaurantes fecham cedo…e a cozinha dos bares fecha as 22h30! Você vai pro bar e eles avisam que a cozinha fecha! Outro dia sai com uma amiga e rodamos por uns quantos bairros e nada aberto…nem Mac Donalds hahaha.

Já escrevi demais por hoje. Deu né?

Me contem o que gostariam de saber sobre a vida aqui que escrevo!

Beijocas!